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Meteorologistas: não é possível associar ventanias ao El Niño

ResumoMeteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que ventanias de até 105 km/h registradas no Rio de Janeiro e em São Paulo não possuem relação direta comprovada com o fenômeno El Niño. Fatores climáticos específicos, como a atuação de sistemas de baixa pressão e frentes frias, foram os responsáveis pelo evento.

Meteorologistas do Inmet e Cemaden explicam que ventanias de até 105 km/h em RJ e SP não têm relação direta comprovada com o El Niño. Saiba quais fatores climáticos provocaram o evento.

Patrícia Lemos Patrícia Lemos · Especialista em dados e analytics
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Meteorologistas: não é possível associar ventanias ao El Niño
Foto: Imagem ilustrativa · PosUp

Meteorologistas do Inmet e Cemaden explicam que ventanias de até 105 km/h em RJ e SP não têm relação direta comprovada com o El Niño. Saiba quais fatores climáticos provocaram o evento.

Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo na tarde de quarta-feira (30). Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h. Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar o evento ao El Niño.

O evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de "escoamento", segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O que causou as ventanias em RJ e SP

A meteorologista Suellen Araujo explicou que a conjunção desses fatores auxiliou na formação da instabilidade que trouxe rajadas intensas. "Tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados", disse.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, destacou que as rajadas se formaram a partir de uma linha de estabilidade.

"É uma linha de tempestades alinhadas, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde", esclareceu.

Como a frente de rajada se comporta

Seluchi explicou que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade e que a tempestade, em si, nem ocorreu. No Vale do Paraíba, em São José dos Campos-SP, choveu mais no final da tarde e início da noite, o que restou da linha de tempestades que foi dissipando conforme avançavam para o norte.

"Elas começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, foram dissipando", disse.

Por que não associar ao El Niño

Tanto a meteorologista do Inmet quanto o coordenador do Cemaden avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño, fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e provoca alterações no clima global.

Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

"Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder verificar se [os ventos fortes] tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno", afirmou Suellen Araujo.

A relação indireta com as frentes estacionárias

Seluchi esclarece que a linha de tempestades se formou a partir de uma frente estacionária que estava sobre o sul do Brasil. A frequência com que essas frentes atuam na Região Sul já tem relação com o El Niño, mas a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano.

"Acontece também em anos que não são do El Niño. A relação [das rajadas] com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho [que tem], mas é difícil provar que é uma relação indireta", disse.

O que dizem outros meteorologistas

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que são necessários estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño.

"Não tem como afirmar e nem contrariar essa correlação, que precisa ser estudada para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño", disse.

Perguntas Frequentes

As ventanias podem se repetir?

Sim, linhas de instabilidade e rajadas de vento podem ocorrer em qualquer época do ano, independentemente do El Niño.

O El Niño pode intensificar eventos climáticos?

Sim, o El Niño altera o clima global, mas a associação direta com ventanias específicas exige estudos mais aprofundados.

Qual a diferença entre frente de rajada e tempestade?

A frente de rajada é o vento forte que avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade, que pode nem ocorrer.

Como se proteger de ventanias?

Evite áreas abertas, busque abrigo em locais seguros e fique atento aos alertas do Cemaden e Defesa Civil.

O que é o Super El Niño?

É um El Niño excepcionalmente forte, com aquecimento das águas do Pacífico acima da média histórica.

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