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Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

ResumoO fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Alto Garças (MT) revela uma nova espécie que viveu há 254 milhões de anos. O espécime, excepcionalmente preservado, fornece dados cruciais para reconstruir o ecossistema anterior à maior extinção em massa da Terra. A descoberta amplia o conhecimento sobre a fauna aquática do período Permiano no Brasil.

Pesquisadores apresentam nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há 254 milhões de anos. O fóssil, achado em Alto Garças (MT), está excepcionalmente preservado e ajuda a reconstruir ecossistema anterior à maior extinção em massa da Terra.

Patrícia Lemos Patrícia Lemos · Especialista em dados e analytics
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Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso
Foto: Imagem ilustrativa · PosUp

Pesquisadores apresentam nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há 254 milhões de anos. O fóssil, achado em Alto Garças (MT), está excepcionalmente preservado e ajuda a reconstruir ecossistema anterior à maior extinção em massa da Terra.

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, batizada de Leolepis, é apresentada em estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil foi encontrado em Alto Garças, Mato Grosso, e viveu há cerca de 254 milhões de anos. O exemplar está excepcionalmente preservado, o que oferece rara oportunidade de conhecer a vida no continente sul-americano antes de uma das maiores transformações da história da Terra.

O peixe pertencia ao grupo dos actinopterígios, os peixes de nadadeiras raiadas, que hoje reúnem cerca de 96% dos peixes vertebrados, incluindo atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros e corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais dos dentes humanos.

Enquanto a maioria dos peixes dessa idade achados no Brasil é conhecida por dentes, escamas ou fragmentos isolados, o Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, e um achado raro em escala mundial.

O animal viveu no Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando América do Sul e África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que ele se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

O fóssil ajuda a reconstruir um ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. Esse foi o maior episódio de extinção em massa conhecido: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. O registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é pouco conhecido, o que torna a descoberta ainda mais relevante.

A pesquisadora do Departamento de Zootecnia da Uerj, Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que "por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas".

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

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